Economia e eficiência no uso da água.

Economia e eficiência no uso da água.

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No Brasil, empresas onde a água é um insumo de uso intensivo têm conquistado eficiência por meio de programas de gestão hídrica. Na Ambev, o uso consciente da água é fundamental à produção, pois representa mais de 90% da composição da cerveja e do refrigerante fabricados pela companhia. Por meio de treinamento, padronização e gestão de processos, a companhia conseguiu reduzir em 40% o consumo de água nas fábricas entre 2002 e 2015. No período, o uso de água na produção de cerveja caiu de 4,5 litros por litro fabricado para 3,2 litros, detalha Beatriz Oliveira, gerente corporativa de meio ambiente da Ambev. “Essa meta estava programada para ser cumprida até 2017, e conseguimos atingi-la em 2015. É uma economia que vai gerar maior disponibilidade de água para uso futuro.”

A Ambev também trata seus efluentes industriais para que não haja poluição dos rios. Todas as fábricas têm estações de tratamento, o que preserva a qualidade da água dos mananciais. Na fábrica de Jaguariúna, por exemplo, o consumo de água caiu em 25% com o reuso de efluentes. “É um resultado expressivo, se levarmos em conta que a captação de água é através do rio Jaguari”, segundo Oliveira. A executiva comenta que o rio faz parte do Sistema Cantareira, conjunto hidroviário que abastece a capital paulista. A empresa usou o case para concorrer ao Prêmio ECO de 2015.

O monitoramento do consumo e gestão hídrica, vital para o cultivo de eucaliptos, garantiu à Suzano Papel e Celulose economias importantes de produção. Na fábrica de Mucuri (BA), o consumo de água por tonelada produzida caiu 5% entre 2013 e 2016, enquanto que a unidade de Suzano (SP) deixou de utilizar 10% do recurso no mesmo período.

Outra iniciativa da empresa é pesquisar sobre cultivos que demandam menos recursos naturais. “Temos estudos de zoneamento climático, espaçamento de plantio e desenvolvimento de espécies de eucalipto que demandam menor quantidade de água, por exemplo. Tudo visando um trabalho mais apropriado em termos de manejo florestal”, comenta José Luiz Stape, gerente executivo de tecnologia florestal da Suzano Papel e Celulose.

Na Kimberly-Clark (K-C), do segmento de higiene pessoal, medir o consumo de água foi o ponto de partida para tornar a produção mais eficiente. A partir de uma parceria com a ONG The Nature Conservancy, a empresa realizou o cálculo da sua “pegada hídrica”, indicador que aponta a quantidade de água utilizada na fabricação de um produto. Com isso, a unidade brasileira conseguiu reduzir e adotar processos de reutilização do recurso com maior eficiência em suas fábricas. A K-C inscreveu o projeto no Prêmio ECO em 2014.

De todos os produtos da empresa, o papel-higiênico é o maior responsável pelo consumo de água utilizada na cadeia de produção e determinou um volume máximo de consumo para a fabricação do produto, que corresponde a 25 mil litros de água por tonelada. Com as medidas de economia, em 2015, a K-C reduziu o uso para sete mil litros de água por tonelada de papel, quase um quarto do que a corporação estimava como padrão.

De acordo com Jefferson Correia, gerente de assuntos corporativos da K-C, o ganho mais importante foi a sustentabilidade dos negócios. Para ele, a gestão eficiente permitiu à empresa operar sem qualquer tipo de impacto na crise de abastecimento, em 2015. “Durante a crise hídrica a K-C utilizou um nível baixíssimo de água na sua produção. É provável que se a empresa não tivesse reduzido o volume de água gasto durante a produção, poderia até ter tido uma interrupção”, comenta.

Substituir métodos domésticos de limpeza por lavadoras profissionais, por exemplo, proporcionaram uma economia de 80% no consumo de água da Orbenk, prestadora de serviços de limpeza e conservação de ambientes. Anualmente, isso representa sete milhões de litros de água que deixam de ser consumidos. “O nosso core business é prestar serviços de limpeza e conservação. O grau de dependência entre o nosso negócio e a água é muito grande, pois sem ela é praticamente impossível executar as nossas atividades”, frisa Fabio Yamashita, gerente de Planejamento & Desenvolvimento da Orbenk.

Além do uso da tecnologia a favor da sustentabilidade, Yamashita considera as campanhas de conscientização ambiental um processo fundamental – tanto para colaboradores quanto para os clientes. Para o executivo, a preocupação com o uso da água está aumentando dentro do setor privado, mas faz uma ressalva: “Percebo que as iniciativas ainda são insuficientes e não andam na mesma velocidade que a escassez de água. Se todas as empresas fizessem ações, mesmo as de baixo investimento, já seria uma enorme contribuição ao meio ambiente”, afirma. As ações da Orbenk renderam um Prêmio ECO à empresa em 2016 na categoria Processos – Empresas de Porte Grande.

Fonte: http://economia.estadao.com.br/blogs/ecoando/em-2016-problemas-com-agua-custam-14-bi-de-dolares-para-empresas/